domingo, 3 de janeiro de 2021

O DOMINGO É UMA MULHER BONITA - ALICE NO PAÍS DA FALTA DE SEXO


    

Mari = Pode ser uma redução de Ademari, Adimari ou Amari  ou ainda se originado do nome Mario.

 

Maria =  Vem do nome hebraico Miryam (cuja origem, provavelmente, seja egípcia, do verbo ‘mrj’, com o sufixo diminutivo hebraico ‘am’), atavés do aramaico Maryam. Foi latinizado como Maria. O sobrenome recorda o nome da fundadora do tronco familiar.

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Mariani = Vem do nome latino Marianus, derivado de Marius.  O sobrenome se define  com filius quondam (expressão clássica medieval que representava a primeira fórmula encontrada para distinguir as pessoas quando ainda não havia sobrenomes. Filius significa filho, em latim, e quondam , também latino, equivale a “outrora” no sentido de que o pai não existia mais. Com esta  expressão (quondam) se fixavam quase todos sobrenomes  indicativos de filiação e que derivavam de nomes próprios. Aos poucos, a expressão foi-se reduzindo a somente quondam  ou sistematicamente  abreviada nos textos como fq ou  simplesmente q. Assim, o sobrenome Mariani vem do filius quondam  Mariani, filho do senhor Marianus. Marianus na língua italiana virou Mariano, que se definia também como habitante de Mariano, uma das duas cidades ou das várias localidades chamadas Mariano, remontando a fundus Marianus, isto é, terras do cidadão Marius, em torno do qual surgiu a povoação.  Na forma dialetal, a redução da palavra  Mariano é Marian. Como derivativo de Mariano  tem-se Marianelli e Marianetti , que é o sufixo plural Marianus mais ‘elli e etti’; Marianini, de Mariano com o sufixo plural ‘ini’ e Marianucci,, de Mariano com o sufixo plural  ‘ucci’. Já o nome Mario tem como derivativos Marielli (Mario com o sufixo plural elli) e Marietto (Mario mais o sufixo singular etto).

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Nunca tinha feito o trajeto da decolagem até a Esplanada (dos Ministérios), mas em dia de campeonato há vários pilotos que conhecem bem o trajeto a seguir. Um destes  encontrei no Céu foi o Eddie da Bocaina (Eduardo Waller de Oliveira). Já tínhamos voados juntos.  Estávamos voando no mesmo canal do rádio-amador quando o encontrei, faltando menos da metade do trajeto até a capital. Quando vi a Esplanada (dos Ministério), fui chegndo com altura demais (sempre voando com segurança), Então, a Claudinha (Cláudia Otília), juíza de pouso, perguntou pelo radio: ‘Quem e este mané chegando no pouso a esta altura?’ Respondi: Sou eu, irmã. Estava incrédula, super emocionada. Não há palavras pra descrever a emoção de chegar à Esplanada em uma asa delta. Voei, calmamente, juntamente com os outros pilotos da equipe Sky Center- Chico Santos, Daniel Schmidt, Mario Campanella e (claudinha - esqueci o nome dele - era instrutor - ta na foto), até perder altura e pousar. Pouso perfeito, sem dar um passo. Não teria mesmo condições de dar mais um passo, pois a emoção foi tanta que os meus joelhos falharam por alguns minutos”. 

 

 


domingo, 6 de dezembro de 2020

BELAS DA COPA E NEGRAS NO FUTBRAZA

  Em época de Copa do Mundo, além de futebol, rola um grande desfile de mulheres lindas, autênticas deusas d beleza. O Kike sentiu saudade dessas divindades e fez um passeio pelo túnel do tempo de 2018, desembarcando durante as disputas do Mundial da Rússia. E selecionou esta bela&bela pra você recordar - beleza em flash back!

Izabel Andrijanic, durante o Mundial Rússia-2018,, postou esta fo, pelo seu twitter, mostrando ser mulher de fazer os homens virarem o pescoço ( e, também, o copo) para vê-la passar. Estonteante! Formada em Economia, ela  é casada com o jogador Mateo Kovacic, nascido na Áustria e naturalizado croata. Começaram a namorar durante a adolescência, em 2010. Em território russo, - claro! - Izabel tornou-se musa da torcida do seu país, enquanto os marmanjos brigavam por conta de uma bola de couro - a humanidade não deu certo, convenhamos! 

Foto reproduzida do twitter de Andrijanic 


In times of the World Cup, besides football, there is a great parade of beautiful women, authentic goddesses of beauty. Kike missed these deities and took a tour of the 2018 time tunnel, disembarking during the time of disputes at the World Cup in Russia. And selected this beautiful & beautiful for you to remember.
Izabel Andrijanic, during the World Rugby-2018, posted this photo on her tuiter, showing that she is a woman who makes men turn their necks to see her pass. Stunning! Graduated in Economics, she is married to the player Mateo Kovacic, born in Austria and naturalized Croatian. They started dating during their teens, in 2010s. Izabel - of course! - became the muse of the fans of his country while running the championship of the best football teams on the planet

2 - A NEGRA NO FUTEBOL BRASILEIRO 
 Desde que a mulher chutou uma bola de futebol, pela primeira vez, no Brasil, o homem fez cara feia pra ela, por achar que aquilo era coisa só dele.
A atitude, correspondida pelo Estado comandado pelo presidente Getúlio Vargas, a proibiu de paticar o balípodo, pelo artigo 54, do decreto-lei 3.199, de 1941, que lhe proibia, também, de praticar outras modalidades consideradas impróprias para o sexo. Uma autêntica bola fora do então Conselho Nacional de Desportos, só escanteada em 1979.
Foram 38 temporadas de proibição. Quando elas se libertaram da lei de Vargas e rolaram a pelota, foram classificadas por lésbicas e execradas pelos patrocinadores que não as queriam associadas às suas marcas. Filhas de famílias pobres, para elas, o futebol e seu agressivo marketing poderia ser um meio de subida social para as as negras, mas demorou muito para que alguma delas se tornarsse uma garota-propaganda.
No caso da acusação de serem lésbicas (termo em desuso, substituído por sapatão), um exemplo meio-recente da discriminação rolou, em 2001, quando Federação Paulista de Futebol exigiu para elas exibissem feminilidade, cabelos compridos, corpo  delicado e curvilíneos, além de usarem uniformes mais curtos e justos.
 Passada a fase mais dura do preconceito contra a mulher futebolista, especialmente as negras, rolou, pela segunda metade do século 20, elas serem pouco procuradas pela imprensa. Quando isso ocorria, era para enaltecer a beleza das brancas, como da atacante Bel, do Internacional-RS, que chegou a ser capa de Playboy, a então principal do segmento sexy brasileiro. Tempos depois, a primeria negra a fazer o mesmo, na mesma revista, foi Marta, da Seleção Brasileira de voleibol, mas sem ganhar capa, só páginas internas.
 Vejamos o que se pode falar das quatro principais atletas do futebol brasileiro:
MARTA – Nenhuma futebolista bazuca conseguiu tanta notoriedade quanto Marta da Silva Vieira. Eleita, pela FIFA, a melhor do mundo, por seis vezes, a menina da alagoana Dois Riachos – nascida em 19.02.1986 - foi para o Vasco da Gama, com 14 de idade, em busca de um sonho. Fez 16 jogos e quatro gols, e sagrou-se campeã brasileira sub-19, em 2001.
Por ver o futebol das mulheres sem importância por aqui – ainda defendeu o Santa Cruz-MG, por 38 jogos com 16 tentos -, ela foi se consagrar pelo sueco IK, pelo qual foi artilheira de quatro campeonatos e melhor atacante de 2007/2008.
  De lá para cá, Marata tem feito a sua carreira entre Suécia e Estados Unidos. O seu currículo inclui as artilharias de Copas do Mundo e de Jogos Pan-Americanos, além de duas medalhas de prata olímpica. Primeira mulher a jogar uma partida internacional entre os homens, ela foi chamada pelas Nações Unidas para ser sua Embaixadora da Boa Vontade.
No Brasil, Marta não é considerada negra. Para os padrões europeus, não deixa de ser. Só não enfrenta preconceitos de cor no Velho Mundo por que é uma tremenda atleta do futebol e que já chegou a seis  Bola de Ouro – a última em 2018.
Considerada a melhor de todos os tempos, mesmo assim, Marta ganha 0,3% do rendimento anual do atacante Neymar, do francês Paris Saint-Germain, o brasileiro com maior renda bruta anual no futebol, embora os números dela pela Seleção Brasileira sejam melhores - desde 2015, ninguém marcou mais gols do que ela, 118, entre homens e mulheres. Tem, também,  medalhas olímpicas de prata-2004/2008 , da Copa do Mundo-2007, e de ouro dos Jogos Pan-Americanos-2003/2007 e é a maior goleadora de Copas do Mundo, entre homens e mulheres, com 17 bolas na rede. 
Quando passou três meses no paulistano Santos FC, venceu a Taça Libertadores da Améric, usando a camisa 10 que consagrou Pelé.  Com tudo isso, Marta não tem um patrocinador desde julho de 2018, o final do seu contrato com a Puma. Recusou-se a renová-lo, pelo valor oferecido (não divulgado). Prefere escrevr “goal equal” em sua chuteira, pois a soma dos cinco maiors salários femininos equivale a R$ 7,7 milhões de reais, enquanto os dos homens equivalem a R$ 175 milhões.

PRETINHA - A primeira futebolista negra a ficar famosa (mas nem tanto) no Brasil foi Pretinha, isto é, Delma Gonçalves, que chegou à Seleção Brasileira, em 1991, e por lá esteve até 2014, tendo disputado quatro Copas do Mundo, quatro Olimpíadas, trazendo as medalhas de prata de 2004 e de 2008. Conquistou, ainda, a medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos-2007, no Rio de Janeiro.
 Cria do Vasco da Gama, Pretinha chamou a atenção da imprensa pela bola que jogou na Grécia e valeu-lhe ser vice-campeã olímpica dos Jogos de Atenas-2004, quando foi a artilheira e encantou os japoneses, que a levaram – jogou também, nos Estados Unidos e na Coreia do Sul.
 Ser goleadora, por sinal,  foi uma sina de Pretinha. Ela escreveu o seu nome como a principal “matadora” das Copas do Mundo -1991/95/99/2007 e das Olímpiadas-1996/2000/2004/2008, sua segunda medalha de prata.

MICHAEL JACKSON –  Quando o cantor norte-americano  fazia sucresso em todo o planeta, o futebol das meninas brasileira revelou uma xará dele, Mariléia dos Santos. Por 12 temporadas, ela foi da Seleção Brasileira, tendo ido a duas Copas do Mundo e a uma Olimpíada. Esteve no grupo que disputou a o Mundial-1991.
Nascida em 19.11.1963, teve 11 irmãos e começou na bola aos 12 de idade, em Valença-RJ. Além do escrete canarinho das décadas 1980/90, passou por Corinthians, Vasco da Gama e Internacional-RS.  Em 1995,  foi levada pelo italiano Torino, tornando-se a primeira brasileira a jogar por clube de fora do país. Foi eleita, pela  Federação Internacional De Historia e Estatística do Futebol a terceira melhor jogadora do século 20 na América do Sul .

FORMIGA – Ela  já tem 41 de idade – nasceu em 03.03.1978, em Salvador-BA -, mas segue indispensável à Seleção Brsileira. Miiraildes Maciel Mota, a Formiga, faz jus ao apelido, pois é uma verdadeira formiguinha em campo. Razão de ter sido vice-campeã olímpica-2004/2008 e  vice-campeã mundial-2007, jogando como valente ou meia.
Único ser do mundo da bola (entre homens e mulheres) a ter disputado sete Copas do Mundo, é a mais velha a marcar um gol - em 2015, quando tinha 37 de idade),
Formiga bate o recorde, também, em partipações olímpicas, com seis presenças, ao lado espanhol Manuel Estiarte (polo aquático), e da russa Evgenia Artamonova (vôlei).
Além das medalhas prateadas já citadas, ela tem, ainda, as de ouro dos Jogos Pan-Amerianos-2003/2007/2015, e a prata de 2011. Em números de jogos canarinhos, com 151, ultrapassa o mais atuante do time masculino, Cafu (Marcos Eangelistas de Morais), com 149.
 Cahamada pelos familiares e amigos por Mira, ela coleciona, também, três títulos da Taça Libertadores da América e um Mundial Interclubes. Desde 1993, quando se profissionalizou, já  passou por 16 times – entre Brasil, Suécia, Estados Unidos e França -, mas só um da Bahia, de São Francisco do Conde, em 2016. Desde 2017, defende o francês paris Saint-Germanin.
 Formiga diz que jamais sofreu ataques racistas na Suécia, nos Estados Unidos e na França, mas não escapou disso quando jogou na cidade de Caçador, em Santa Catarina, onde um torcedor gritava “macaca” sempre que ela tocava na bola.
 Nascida em Lobato, periferia e Salvador, ela começou a chutar a bola aos 7 de idade. Vizinhos a chamavam por mulher-macho. As vezes, leava porrada dos irmãos, por jogar junto com meninos.
 Aos 16, Formiga estreou na Seleção Brasileira. O apelido surgiu aos 14, quando disputava uma partida do Campeonato Baiano e era a menorzinha no gramado. De mulheres atletas brasileiras, só ela e Marta são  figurantes do Museu do Futebol, em São Paulo, ao lado dos maiores ídolos masculinos do futebol canarinho.


https://jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/historias-da-bola/a-negra-no-futebol-brasileiro/

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ENTREVISTA/ MINISTRA MARIA ELIZABETH ROCHA

Em 200 anos de história, a ministra Maria Elizabeth Rocha é a primeria e única mulher no País a chegar ao Superior Tribunal Militar (STM). Nomeada, pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, em 8 de março de 2007, dia internacional da mulher, e empossada 19 dias depois, ela defende os movimentos femininos cobra mais espaço para os direitos da mulher na constituição brasileira. Por sinal, aproveitando a passagem dos 20 anos da Carta Cidadã, que ainda se comemoram, com programações alusivas ao 5 de outubro de 1988, a ministra Maria Elizabeth aproveita esta entrevista para analisar o documento, afinal ela é professora de Drieito Constitucional em uma das universidades de Brasília e PhD no assunto.
JBr - A senhora tinha alguma ligação política antes de chegar ao STM?
R - Já fui militante de esquerda, servi ao PT (Partido dos Trabalhadores), como advogada.

Por vedação constituconal, hoje, nem tem mais como pensar nisso...

Sim. Agora, é só levar contribuição ao STM, pela minha experiência com o direito constitucional, atualizando os conteúdos normativos, pois o Código Penal Militar e o Código de Proceso Penal Militar estão desatualizados perante a nova constituição. São de 1969, editados em um regime que não vigora mais.

A senhora imputa ao ministro José Antônio Dias Toffoli o empurrão para chegar ao circuito do Palácio do Planalto. Houve ajuda da lidrança do PT, da qual a senhora foi advogada, para chegar ao STM?

Não é falsa modéstia, mas imputo a minha indicação ao meu currículo. Sou mestra (pela Universidade Católica de Lisboa), com distinção, e doutora (pela Universidade Federal de Minas Gerais), com louvor, além de aprovada, em primeir lugar, no concurso que me levou à Procuradoria Federal. Estudei, me preparei muito. Sou professora universitária, desde os meus 23 anos de idade. Reconheço, além do ministro Dias Toffoli, a mão amiga do ministro Gilberto Carvalho.

JBr – A Constituição Cidadã chega aos 20 anos com dezenas de itens não regulamentados...

R – Isso, talvez, seja a parte mais dolorosa da carta de 1988, porque ela consagrou princípios que, antes, jamais haviam sido tratados, casos, por exmeplo, dos direitos sociais dos trabalhadores. Issio é uma grande conquista, uma festa da democacia. Mas é lamentável não ter muitos deles regulamentados. Os poderes da República não atribuem essa responsabilidade só ao Legislativo. A sociedade pode apresentar projetos de lei de inciativa popular. Poderia haver uma mobilização neste sentido. Este é o grande problema. Porém, 20 não ao são nada em termos de história. Temos muit tempo pela frente para aperfeiçoar a democracia, que é um processo em construção. Sou otimista em relaçã ao futuro da Nação.

Há parlamentar que vê irresponsbilidade no Congresso Nacional, por não regulamentar, logo, o que a sociedade espera. O termo “irresponsasbilidade” está bem ou mal colocado?

Não chamo o Congresso de irerresponsável, porque ele não trabalha em tempo real. É nescessário um período de maturação para se elaborar um projeto-de-lei e este passsar pelas comissões e o plenário. Acho, sim, que a sociedade devria mobilizar-se, pois o Congresso é uma caixa de ressonância dos anseios populares, a garantia de sanidade das sociedades bem ordenadas. A sociedade poderia organizar-se e pressionar os institutos de representação popular, não só os parlamentares, mas, também, o Executivo e o Judiciário. O Legislativo faz a sua parte, mas quem quem interpreta as leis são os magistrados. Muitas vezes, esta, ao ganhar vida própria, passa a ser interpretada totalmente diferente do que se buscava. É preciso, realmente, que haja mobilização.

Que comportamento que a senhora observa, da parte do cidadão que caminha, há 20 anos, com uma “carta no bolso”?

Uma apatia muito grande do cidadão comum, com relação à política, e um descrédito desta. Isso é terrível, mina as expectativas de implementação de melhora da sociedade civil.

O que mais lhe encanta no direito constitucional basileiro?

Os direitos e garantias fundamentais. Não me refiro só aos de primeira dimensão, os individuais, mas a todas as conquistas alcançadas. Aplaudo a luta por um meio ambiente saudável, a preservação das reservas naturais para garantir a subsistência das futuras gerações e, também, a presevação do patrimômio histórico e artístico. Nacional. Isso é o que mais me inspira na noss constituição.

Se a senhora fosse uma parlamentar, hoje, e estivesse regulamentando o que falta à carta de 88, que iten lhe mereceria prioridade?

Os direitos das mulheres. Apoio os movimentos femininos e vejo muitos conquistas esperando por implementação, reforço. Falo em direitos da mulher, mas incluo o das minorias, em geral, segmentos como os homoxessuais, os afro-descententes, que são estigmatizados, historicamente, de uma maior participação na sociedade. Dos três pilares – liberdade, igualdade e fraternidade –, que consagraram a Revolução Francesa (1789), ainda nos falta a implementação do terceiro caso. É colocando-se no lugar do discriminado que se sente o peso da segregação, da indiferença, da exclusão.

Dentro desse iten, daria para particulariz algo?

A violência contra a mulher, os quilombos, as cotas para os negros na universidades, há várias questões merecendo cuidados.

A Secretria de Políticas Especiais para a Mulher, criada pelo Govero Lula, é suficiente, ou, seria mais forte um ministério para ela?

Já temos políticas afirmativas sendo implementadas. Vejo sensibilidade no governo, de perceber a importância de dar um foco distinto a segmentos populacionais histórica e socialmente discriminados.

A senhora considera a vintenária constuição brasileria inteiramente bem situada dentro do tempo atual?

A vejo muito mais vanguardista. Talvez, ela não possa atender a todas as demandas sociais previstas, mas aspira um ideal de nacionalistmo muito grande. Reafirmo o meu aplauso ao sentido de implementar a igualdade entre homem e mulher, de conferir as garatias constitucionais que faltavam as minorais e, ainda, de dar ao analfabeto do direito de participar da vida poltica do País.

Quando esse iten foi levado para a discussão constitucional, setores conservadores da sociedade viram-no como eleitoreiro...

Eu acho absimante pensar que só em 1988 o País tenha incluído, socialmente, uma grandiosa parte do seu cidadão. Por isso, vejo vanguardismo nessa nossa carta. Creio que ela cehga até mesmo a intimidar governantes pela inspirações progamáticas que encerra em seu texto.

Como professsora de direito constitcuional comparado, a senhora, então, vê a nossa carta como uma das melhores e mais bem feitas do mundo...

Sim. Estudo as constituições do mundo inteiro e a vejo como modelo para qualquer País.

Com anda a relação entre a constiuição e a juventude?

Não tenho dúvidas de que é preciso mais divulgação junto ao jovem. Aliás, não só neste sentido, mas, também, junto cidadão comum. É primordial saber que a conscienização da cidadania passa pelo conhecimento dos direitos e garantias individuais, bem como das suas obrigações perante o Estado. É uma relação de troca, um ideal de nacionalidade para nos tonarmos uma grande nação.

É excessivo o número de itens na nossa constituição?

Não posso negar que ela seja uma carta prolixa, mas todos os textos contemorâneos o são. O grande exemplo de constituição sintética é o dos Estados Unidos, aidna é do século 18. Textos prolixos são característicos de cartas programáticas, garantistas, que incorporam programas de Estado. É impossível fugir disso.

A proteção ao meio ambiente foi uma novidade dotexto vintenário. Demoramos muito nesse sentido?

Realmente, entre a nossa prmeira constituição, a imperial, de 1824, até se chegar a esta, ainda não se havia incidido sobre a questão, que já faz parte de muitos outros textos nacionais, como os dos vizinhos Paraguai e Uruguai. Garantir um meio ambiente saudável é dar sobrevivência a futuras gerações e a todo o planeta, já que o desmatamento da Amazônia, por exemplo, vai se refletir no mundo inteiro. Porém, esta é uma questão de soberania basileira, que tem que ser tratada pelo nosso governo.

Quando a constituinte ganhava forma, havia parlamentares saudosos da carta de 1946...

Esta teve pouca duração, porque o país assistiu ao golpe miliar de 1964, que a emendou por quatro atos institucionais. Aliás, a história constitucional brasileira sempre oscilu em ciclos de normalidade e autoritarismos. O texto de 1824 foi outorgado pelo Império; o de 1891 saiu de uma assembléia constituinte, mas não foi um exemplo de constituição democratica, porque a primeira república frustrou os seus objetivos, e a 1934 foi outra com pouca duração, devido ao golpe do Estado Novo, dado por Getúlio Vargas, em 37. A de 1988 faz uma síntese das duas grandes cartas, de 1934 e 46. Em termos democráticos, é a de maior duração na nossa história. Eu acho a Constituição Cidadã muito melhor pporque reflete toda as nossas experiências constitucionais com as rupturas do regime.

A constituinte convocada pelo presidente José Sarney levou quase dois anos trabalhando o texto de 88. Tanto tempo pode ser visto como falta de maturidade parlamentar e de responsabilidade popular?

Para uma constituição ficar bem feita, como a nossa, não importa se ele sai com vagar. Não se pode fazer isso no atropelo. Afinal, o que se elabora é o contrato social que vai reger a nação. É preciso haver acomodação de interesses, de expectativas, de esperaças. Gastou-se o tempo que deveria ter gasto. Não a produzimos em tempo muito longo e nem muito curto. É preciso cuidado para o texto não se conviver com texto periódico, reformado, substituível, revogadao, outorgado, promulgados. Isso já aconteceu conosco e na maioria dos países latino-americanos. A idéia de uma constituição é que ela seja perene, e estabelecer todas as cláusulas do pacto social não é fácil.

A carta de 1988 já foi modificada...

Sim, já são 56 emendas, e espero que fique por aí. Acho que não precisaria haver tantas mudanças. O Judiciário poderia se incumbir da intepretação, renovação dos conteúdos constitucionais. De uma certa maneiria, as cartas se desatualizam com a modrnidade galopante. Veja o caso do biodireito. Quando este texto foi promulgado, em 1988, ainda não se pensava nisso. Da mesma forma, não havia os crimes cibernéticos. Há uma série de novidades que a modernidade apresenta e se tornam impossíveis de o legislador acompanhar. Cabe, principalmente, ao Supremo Tribunal Federal (STF) fazer o seu papel, como interprete. Uma lei quando é editada, já começa a cair no vazio da história.

Quais modificações a senhora não gostaria de ter visto feitas?
A taxação dos inativos pela Previdência, por exemplo. Embora o STF tenha decidido de forma contrário, a minha postura, como professora de Direito Constitucional, é ver ferido o direito adquirido, o ato jurídico perfeito. Para mim, esta emenda foi frustrante.

A constituição dá ao parlamento o poder de polícia, de determinar prisões, durante uma CPI. Isso não é um traço de autoritarismo?

Não ocorrem prisões arbitrárias, mas dentro de determinadas circunstâncias. Por exemplo, se o depoente se recusa a prestar informações. No nosso sistema de separação de podres há e freios e contrapesos para controlar eventuais abusos que um outro possa cometer. Para isso, existe o Judiciário para fazer análise prévia, conceder hábeas corpus preventivo, pois ninguém é obrigado a depor e criar provas contra si. Há emcanismos eu garnte o dieito individual, mas, também, protegem o interesse da sociedade. As comissões parlametnares de inquéritos (CPI) agem contra os abusos cometidos contra a sociedade.

AS BELAS DOS CLASSIFICADOS

No início, os comerciantes da idade média criaram as gazetas, para noticiar o comércio. O tempo foi passando e surgiram os classificados, para vender coisas. Hoje, eles vendem até amor. Se não anunciam propaganda enganosa, nunca foi tão fácil amar deusas, musas ou sereias. Elas são um lindo sonho delirante.
São loiras, ruivas, morenas, índias, orientais, brasileiríssimas. Todas lindas, liberais, carinhosas, cheirosas, deliciosas, tesudas, sensuais. Em comum, só o fato de serem diabinhas de inferninhos que dão garantia de prazer intenso a quem só pensa "naquilo".
Danadinhas, elas se revelam por inteiro no fogo intenso do que for tratado, mas recolhem-se, intransponívis, no íntimo de suas identidades. Vão à guerra como Alines, Camilas, Cláudias, Fabíolas, Isabelas, Marianas, Renatas e Valérias, entre outras graças que, também, incluem Karens, Kiaras, Natashas, Monikes, estrangeirismos que impressionam os ouvidos tupiniquins.
O negócio delas é o prazer, mas, sem querer, essas meninas de vida facilitada pelo celular, a internet, o táxi e o motel com ar condicionado criaram uma literatura que faz o substantivo ter ciúme do prestígio do adjetivo, além de deixar a gramática pasma da sensualidade conferida à metonímia. Querem um exemplo? Com certeza, Amanda, 18 aninhos, "princesinha dos seus sonhia mais eróticos, cabelos longos, na cintura", não estava nem aí para o sentido figurado que a sua professora primária lhe ensinou e que ela, com certeza, nem se lembrou, quando anunciou ter uma "boquinha mágica, bem gulosa". Gulosa de quê? Amanda não precisa explicar. Mais explícito do que essa figuração só a metonímia que ela usou para avisar aos leitores dos classificados dos jornais que tem um "bumbum delicioso".
As vezes, uma superdiscreta princesinha esquece que vive num país onde a discriminação epidérmica é crime e anuncia-se como "branquinha". Perdoável só por quem adora as letras daquelas músicas com cheiro de motel, afinal a gata complementa o preconceito dizendo que "...adora beijos...vou dar tudo o que você quiser, sem frescura". Também, há casos em que elas parecem bairristas: "Mineirinha linda... Linda goianinha... Loira gaúcha". De repente, nem sejam, queiram, apenas, acarinhar o torrão natal.
Tem delas que, quando se definem, mostram-se saídas de velhas histórias gregas, como uma deusa "arrazando corações, em 1,70 m de pura safadeza, curvas divinas, bumbum lindo, tesuda da cabeça aos pés, totalmente liberal, híper carinhosa, a amante mais do que perfeita". Dá pra resistir? "Venha realizar as suas mais loucas fantasias...", oferece Aline, de 21 anos. Mas, se nesta matéria pode entrar deusa grega, então, pode pintar também uma "sereia superbronzeada. Belíssima!" Adria Gaúcha, a loira de cabelos longos, vai mais fundo ainda, deixando todos curiosos. "Tenho algo grande. Quer saber? Ligue e pergunte o que é", autoriza, a prenda, de 1,70 m.
Em tempos de geração saúde, não podia faltar aquela "de corpo malhadinho... pra você que procura uma bela massagem e gostoso relax, completinho". Interessado? Então, confira se Ana Carla, de 19 anos e 1,68m, além do que diz, é, realmente, "linda, carinhosa, sensual", como Ana Luiza que, além de "atraente, sensual e bonita", ainda manda avisar que é educada, meiga, carinhosa e higiênica. E pra matar: "...bronzeada, pernas grossas, bumbum exuberante, ao gosto de senhores que gostam de beijos e carícias". Gostou? Poética, hem!
A esta altura do campeonato você pensaria que só falta pintar uam garota saída das letras da Bossa Nova , não é mesmo? Mas ela existe, sim, e tem nome de cantora do gênero. Anote a cantada de Maysa, de 18 aninhos, 1,60m: "Uma gracinha de morena, gostosas dos pés à cabeça lábios provocantes, corpo excitante, Seios perfeitos, liberal e fogosa. Amante mais do que perfeita, pronta para satisfazer suas vontades". Não é mesmo uma autêntica "Garota de Ipanema do Cerrado?" No tom do Planalto! Confira se os olhos dela são dois lagos não pacíficos.
Agora, prezado, segure esta: se a Playboy pagou aquele quase milhãozinho de dólares para você ver uma deusa da TV, como Deus a criou (nua), ou como o homem a complicou (vestida), gaste infinitamente menos só com um telefonema para Denise (9991-9338). "Exuberante, sósia de Vera Fischer, mulher fina, educada, de bom nível social e cultural. Goiana, loira, elegante, atraente, sensual, lindíssima". Chega, ou quer mais? Mais? Então saiba que ela é a acompanhante perfeita para você deixar os amigos de queixo caído nos eventos onde comparecem executivos e empresários. Denise atende com classe e descrição, prometendo, preferencialmente, aos hóspedes do Setor Hoteleiro Norte/Sul ..."senhores de extremo bom gosto, um raro e inesquecível prazer".
O anúncio acima só não especifica se esta goiana é humana ou biônica, pois ela oferece atendimento vip, 24 horas por dia. Mas, não se preocupa. Se não der para fisgar um clone de Ver Fischer, você tem Isabela, "ex-modelo, 1,78m de pura simpatia. Mulher bonita, clara, 68 quilos bem distribuídos, toda bronzeada..." Fique só sabendo que, pela sua passarela, ela prefere os desfiles dos "senhores executivos e empresários, aos quais promete serví-los com discrição, carinho, qualidade e gostosa massagem relaxante".
Eu telefonei para as "belas dos classificados", mas só uma delas aceitu conversar, assim mesmo não permitindo fotografias, nem a gravação de sua voz. Inclusive, para não ser identificada, pediu para trocar o nome divulgado no jornal pelo de Vânia. O nosso encontro foi marcado por ela para a saída da agência central do Banco do Brasil, no Setor Bancário Sul. Pela descrição da roupa que usaria, de sua cor e altura, não tive como errá-la. Ela era muito mais bonita do que se anunciava. Lembrava aquela atleta de vôlei, a Ana Paula. Educadíssima, perguntou se poderíamos conversar no bar do aeroporto. O carro dela é um Vectra. Vânia, sempre sorridente, é uma dama. Tem 27 anos, mede 1,74m, é morena, tem cabelos longos, dentes perfeitos e fala, fluentemente, o francês. Domina, também, o inglês.
Quando sentamos para conversar, ela sugeriu tomarmos um vinho nacional, para não encarecer muito a conta. E pediu Forestier risling, branco, suave. Então, ela me contou: "Eu cursei até o quarto ano de Administração de Empresas. Trabalhei num banco, porque rompi com a minha família. Os diretores não me deixavam em paz. Eu passava mais tempo sendo cantada do que trabalhando. Um dia, li um livro sobre a "outra". Imaginei-me naquela situação e, quando a minha conta bancária secou e não deu mais para pagar a faculdade, preferi fazer aquele jogo do que me reconciliar com os familiares, que tentavam me passar uma idiosincrasia que, na verdade, era muito mais uma hipocrisia".
Segundo Vânia, a sua tomada de posição aconteceu quando um diretor do banco, um gay, lhe contratou para passar por sua namorada, numa recepção, em São Paulo. "O acordo ficou pelo dobro dos 700 reais que eu ganhava, mensalmente. E, depois daquela, eu topei todas as que pintaram. Ficar ganhando o que eu ganhava seria burrice. Voltei para a faculdade, mas tornei a abandoná-la, faltando seis matérias para concluir o curso. Um executivo francês apaixonou-se por mim e insistiu para eu me casar com ele. Não aceitei o casamento, mas vivi três anos com ele, em Paris. Durou até muito, pois ele era muito ciumento. Tive vários convites para fazer desfiles de modas, fotografias para propagantes em revitas e jornais, mas ele me proibia. Os europeus suspiraram quando pasavam por mim. Pareciam nunca terem visto uma morana. Quando não suportei mais os ciúmes do francês, rompi com o casamento. Voltei há um ano e pouco".
Vânia disse que teve poucas informações sobre o Brasil, durante o tempo em que moru em Paris. Segundo ela, o francês esteve por aqui, três meses depois que ela o abandonou, tentando uma reconciliação, mas ela rejeitou. Ganhou o Vectra, de presente dele, mas nem assim se comoveu. "Eu esperava voltar ao Brasil e terminar a minhja faculdade. Mas encontrei o país com muito desemprego e poucs chances de colocação no mercado. Apareceram oportunidades de trabalho, mas, de forma alguma, eu aceitaria dar o duro o dia inteiro, por 400, 500 reais, conforme foram a propostas que pitnaram. Então, resolvi. Então, resolvi explorar a beleza do meu corpo enquanto eu tiver juventude. Preciso ganhar muito dinheiro para, daqui a uns oito anos, viver outra vida".
Perguntei a Vânia se el anão sentia contrangida de sabr que quase se graduara em Administrção de Empresas e se via colocando anúncio em jornal para negociar o corpo. Sua resposta: "Certa vez, eu e o francês fomos passear em Havana. Vi médicas e arquitetas vendendo o corpo para terem dinheiro para se alimentar. Só acreditei porque conversei com elas. É questão de opção, para mim. Repito: jamais irei trabalhar o dia inteiro por 500, 600 reais, enquanto eu tive beleza física. Eu tenho amigas que vocês nem imaginam o que são e que fazem o mesmo que eu. Se as encontrarem numa destas festas elegantes do Lago Sul, pensarão que são princesas. E não somos? Pelo menos, para os sonhos de muitos".
Convenhamos então, que sonhar custa muito caro se o objeto do sonho for uma "princesa".
Publicado no Jornal de Brasília de 9 de julho de 2000

ADORÁVEIS BANDIDAS

As mulheres saíram de um segundo plano, nos quadrinhos, para uma exposição radical, em que sexo, erotismo e boas doses de banditismos substituíram antigas posturas conservadoras. foi um pulo para as mulheres e para os quadrinhos (ou comics, ou bandes-desinés) que começaram a ser analisados como manfiestações artísticas dentro da cultua de massa dos anos 60. Uma revolução e tanto.
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Bad girl é sinônimo de erotismo indissociável das exigências comerciais da indústria cultural de hoje. Mas, se no renascimento, os pintoras já povoavam suas telas com desejáveis madonas, porque privar o presente e o futuro das deliciosas bandidinhas? Ainda bem que cinema, fotografia e quadrinhos formaram um bem-aventurado inferno para essas pecadoras.
Antes mesmo de completar uma década de funcionamento do Hogan´s Alley (1895),o beco mais imundo do mundo, as bandidas já eferveciam as mentes masculinas, dentro de revistinas em preto e branco, impresas em gráficas de milésima categoria. Foi o tmepo das Tijuanas Bibles ? livrinhos parentes dos catecismos desenhados por Alcides Caminha, o Carlos Zefiro, nas décadas-50 e 60 ? e que ganharam tal denominação porque os norte-americanos viam as suas fronteiras com o México como o típido território que o diabo gosta.
As bad biblias surgiram sacaneando o rádio, o cinema e os quadrinhos, e, em 1952, ionspiraram Harvey Kurtzman a criar Mad. Antes, as bandidas da década-40 já haviam prestado um grande serviço à humanidade, se despindo nas folhinhas e quadrinhos que foraleciam os gloriosos combatentes de guerra. Depois, viraram insunuantes pin-ups, nos anso 50, qiuando até as conservadoras páginas da Esquire se renderam aos seus encantos, como já o haviam feito antes as bragas revistas de terror e os paperbacks policiais.
Na década-60, mudou-se o conceito de quase tudo e as adoráveis bandidas de um mundo que trocara os beatniks pelos hippies, sofisticaram-se, caso de Barbarela, criada por Jean-Claude Forrest, em 1962, capaz de satisfazer o corpo com quem topasse encará-la, fosse deste ou do outro mundo.
Foi por aquele mesmo período que Harvey Kurtzman e Bil Elder criaram, nas páginas da Playboy, a bad danadinha Little Annie Fanny, seguida, em 65, pela mais safadinha aidna Valentina, de Guido Crepax (1965). Na década-70, Ricahrd Crumb e Georges Pichard inventaram as terríveis gordinhas e nos anos-80 vieram mais sensualismo ainda com os italianos Milo Manara (Frederico Felini foi um dos admiradores de sus longilíneas, ingênuas e safadas bad girls) Paolo Serpiere e Giovanna Casotto. Por sinal, Casotto deixou as coisas literalmente da cor do diabo. Inspirando-se nos cineastas Pedro Almodóvar e Russ Mayer, e no escritor Henry Miller, ela produziu quadrinhos loucamente saídos e sua imaginação erótica, com toques de masoquismo. Giovanna, autora e atriz, encontrou terreno fértil par os seus bad sonhos, afinal seu marido - Franco Saudelli - produzia Blonde, uma ladra de jóias, especialista sem despir e amarrar mulheraços. E, com tanta sacanagem no papel, não teve quem se segurasse. Até os conservadores quadrinhos juvenis norte-americanos mudaram.
Na década-90, as bad heroínaspassaram a perder as roupas facilmente e a se meterem em sumaríssimos maiôs. Credita-se a Jim Lee a explosãodo sucesso, principalmente depois do hipersensualismo que ele s os seguidores deram a personagens como Psilocke e Vampira, e do lançamento de novas musas, como Devota e Vodu. No entanto, tudo indica que Elektra, a ninja assassina criada por Frank Miller para dar alento ao Demolidor, tenha sido a primeira bad girldos quadrinhos modernos, com o seu perfil musculoso, mas bandidamente sexy.
O certo é que as bad girl das graphic novelnada acrescentaram aos quadrinhos, a não ser fazê-los vender bem, simplesmente, por causa de suas poses sexy. Foi isso que levou a Penthouse entrar no ramo e lançar a Young Capitain Adventure, desenhada por Adam Hughes, que criou a insaciável Herricane, mestra em aproveitar todas as chances possíveis para tirar a roupa e se dar bem na situação.
Pesquisadores ultrarigorosos conseguem ver nas cavernas peleolíticas as prmeiras manifestações das histórias em quadrinhos. Se estiverem corretos, então não é a partir dr Yellow Kid(16/02/1896) que a mulher pinta nessas histórias, oficialmete, pouco mais de centenárias. Quem há de duvidar que ela não despertava a imaginação de qualquer artista rupestre?
Naquele feveriero de 1896, quando técnicos do jornal New York World sintetizaram a cor amarela no camisoção de um menino careca, o Mick Dugan, criado por Richard Felton Outcault, para a capa do suplemento dominical, a mulher poderia até ser uma das muitas escórias que habitavam o alegre beco Hogan´s Alley. Mas ainda estava longe o tempo em que ela conseguiria a fama de um Yellow Kid, personagem que fez disparar as vendas de um jornaleco.
Desde quando cartunidtas separavam personagens fixos e usavam balões com diálogos, além de imagens sequenciais, o que foi tudo juntado depois por Outcault, tanto nos quadrinhos como nos livrinhos infantis, o homem era sempre dono do pedaço. Com o surgimento dos comics booksnorte-americanos, entre 1933 e 34, no formato meio-tablóide, e contendo histórias completas, a mulher começou a aparecer mais nos quadrinhos. De início, eram as meigas mocinhas capturadas pelos bandidões, para atrair os heróis, o que acontecia tmabém no cinema. Com o passar do tempo, ela até mudou de lado e virou bad girl, muitas delas adoráveis bandidas, com torcida frenética de leitores, desejando vê-las vencedoras no final da história.
Os pesquiadores ultra-rigorosos, que identificam as primeiras manifestações dos quadrinhos "lá para trás", não tinham como ver bad girls nos hieróglifos ou baixo-relevos egípcios, muito menos nas vias sacras católicas, nos trípticos de Bosch e Brughel; nas aventuras seriadas de Goya e Gustav Doré; nos cartazes de espetáculos intinerantes, contando histórias em grandes quadros; nos posters de crimes famosos; nas caricaturas ou nas charges políticas.
No Brasil, que nunca foi um grande consumidor de gibis (generalizaçãodas publicações do ramo, a partir da publicação de uma revista lançada em 1940, com 32 páginas e em papel jornal), as bandidonas ou anti-heroínas viveram o seu grande momento na década-60,quando circularam as supersensuais Mirza, Nádia, Zora e Velta, que deixavam os adolescentes tontos.
A CatwoomanSelina Kyle, a Mulhr Gato, criada por Bob Kane, tendo por modelo uma namorada, foi a primeira bgad girl dos quadrinhos. ex-aeromoça da Speed Airways, Selina sobreviveu a um desastre aéreo, passou por uma longa amnésia, e, quando acordou foi parar na vida bandida. Tudo por falta de emoções no seu pacato dia-a-dia de dona de loja de animais.
Mas foi a sofisticação e a classe bandida que rendeu um fã clube à Mulher Gato. Ele estreou com o Batman, em 1940, o acompanhou nos desenhos animados (Batman: The Animated Series) e com ele chegou às telas (14/03/1968), embora no primeiro ano da série só tivesse aparecido em aventura de duas partes. Na pela da anti-heroína, Julie Newmar (substituída depois pela negra Eartha Kitt) seduzia os homens com as suas roupas colantes, abusadamente sexys, e agradou tanto que o personagem dos quadrinhos passou a ser desenhado tomando por base os seus tributos anatômicos. Mas a Mulher Gato que ninguém deixou de amar foi Ivone Craig, contracenando com Burt Ward, nos seriados das TV dos anos 60.
Em agosto de 1966, quando Batman chegou ao cinema, para salvar os membros do Conselho de Segurançpa das Nações Unida, que seriam raptados e desidratados por todos os vilões da série, coube a Lee Marywether encarnar a adorável bandida, que levou quase 30 anos para voltar à telona. Em Batman, o Retorno, dirigido pro Tim Burton (1992), a apaixonante Catwooman foi Michelle Pfeifer.
A Mulher Gato emplacou tanto que foi preciso criar uma Batgirl de conduta feminina exemplar, para concorrer com ela. Escondendo a identidade de Barbara Gordon, filha do Comissário Gordon, autoridade de Gotham City, a rival Selina foi criada (1967) para a série de TV. No entanto, a princípio, não foi levada a sério. Chamada de Beldade Morcego, A Donzela Mascarada e A Elegante Combatente do Crime, só ganhou importância na década-90.
Entre as brasileiras, o grande fenômeno de criação de heroínas nos últimos tempos foi a Tiazinha, personagem de Suzana Alves, que saiu de um programa para jovens, na TV, para virar heroína encarnando uma bad girl, mas com tendências a fazer ao bem.

Galeria de heroínas

Elektra - Criação de Frank Miller, em 1981. Filha de um diplomata grego, troca de vida e deixa a paixão pelo estudante de Direito Matt Murdock (O Demolidor, figura principal da revista Dardevil) para se tornar uma matadora de aluguel, após o assassinato do seu pai, num atentado terrorista.

Barb Wire - Esperta, malvada e muito amarga foi a definição da atriz Pamela Anderson para a bad girl que ela interpretou no cinema, dirigida por David Hogana e roteirizada por Chuck Pfarrar. Super-sexy e moderninha, Barb Wire cheogu às telas como dona de nightclub e caçadora de recompensa, em Steel Harbour, área neutra no meio de uma guerra divil. Recrutada pela resistência, ela deveria levar um agente, em segurança, até o Território Livre.

Mulher-Hulk - Inicialmente, a versão feminina do Incredible Hulk, inclusive, rasgando roupas. Circulava na revista The Savage She-Hulk, quando Roger Stern a levou para Os Vingadores, uma publicação onde poderia se tornar mais interessante

Voodoo - Inocente personagem desenhada por Jim Lee, para a formação inicial do Grupo Wild Cat, que incluía ainda Zealot e Void, fêmeas arrojadas e violentas.

Thank Girl - Bad girlinglesa criada por Jamie Hewlett e Alan Martin que lhe deram cidadania australiana nas páginas da revista Deadlina (1968). Teve pouca repercussão, mas ganhou uma superprodução cinematográfica, dirigida por Rachel Talalay e estrelada por Lory Pettuy. A DC Comics quadrinizou o filme e ainda dedicou-lhe duas miniséries, The Odissay, escrita por Petr Milligan, e Apocalypse.

Mulher Invisível - Criada em 1961, por Stan Lee e Jack Kirb, como sue Storm, bad girl com poderes próprios, sem representar versão masculina.Dona de casa e mãe, enfrentou a ira das feministas dos anos 70, que não queriam como Invisible Girl. Trocou de nome na década-80.
Mary Jane -Outra bad girlcrida por Stsan Lee, nos anos 70, quando as feministas não aceitavam que os homens decidissem a vida das mulheres. Sem ser superpodedrosa, Jane Watson surgiu decidida, fazendo o que quisesse de sua vida, e sendo capaz de mostrar o caminhodas pedras a Peter Parker, o Homem Aranha.
Druuna -Criação de Paolo Eleuteri Serpieri, em 1985, uma opulenta morena de aterrorizante apetite sexual, proveniente de um mais aterrorizante ainda mundo erótico de ficção científica, onde imperam monstros, mutantes, tarados, etc
Valentina - Criada, em 11965, pelo italiano Gudo Crepax, seria apenas a namorada de Phillip Rembrant, um crítico de artes com poderes psíquicos. Mas, a bad girl, que quase sempre usa apenas sapatos de saltos altos, algemas e um chicote durante as suas aventuas, terminou fazendo o rapaz sumir. Crepaz quadrinizou ainda aoutras bandidas eróticas, como Justine, de Sade; A História de Ó, de Pauline Reage, e Emanuelle Arsan e qye ganhou as telas do cinema no corpo da atriz Sylvia Kristel.
Miss Adventure -Escrita por George Caragonne, uma estonteante loira fatal e virgem vive aventuras que satirizam os super-herós.
Devota - Integrante do grupo Wildcats, usa maiôs que sempre rasgam durante suas aventuras.
Witchblade - Peladona, fora das batalhas usa shortinhos curtos. Investida de supearpoderes, algumas partes do seu corpo são recobertas por placas de metal.
Betty - Sexy-heroína lançada por Dave Stevenson, na metada da década-80, junto com o herói Rockteer, no auge da graphic novel. Foi baseada na pin-up Betty Paige, ícone da década-50.

UM SÉCULO DE EROTISMO

Ela carregou nas costas um dos mais rentáveis centenário da comunicação brasileira e ninguém se lembrou de escrever uma única linha em reconhecimento. Pelo menos, para louvr o grande número de empregos garantidos por ela.

Estamos falando do surgimento do erotismo nos meios de comunicação do País. Isso mesmo, e aconteceu em 1998.
Tudo começou em 1898, época em que as mulheres se cobriam, do pescoço ao tornozelo.Virgindade era artigo abundante na sociedade da época e sexo artigo raro para as damas de fino trato, permitido apenas depois do casamento.
Foi na vigência daquela era de repressão sexual que os cariocs passaram a conviver com o Rio Nu, um periódico pioneiro da imprensa erótica brasileira. Para garantir o sucesso do semanário, que circulou até 1916 e chegou a ter edições extras às quartas-feiras, mulheres eram expostas em suas páginas, em trajes sumários (para a época) e poses insinuantes. Além disso, despiam os apertados espartilhos, diziam frases insinuantes e ainda se mostravam dispostas a caírem na horizontal. Só mesmo uma publicação erótica masculina, que escondia os nomes dos seus redatores, poderia fazer aquilo ? fim de mundo para os conservadores.
Surgia, então, um leque de projeções que a mulher passava a proporcionava à mão-de-obra carioca. Depois de empregar jornalistas, gerou publicidade. Afinal, a primeira publicação erótica nacional despertava tanta curiosidade que os comerciantes viram nas suas páginas a melhor das caixas registradoras. Era uma forma de garantir potência plena e inacabável, pois qualquer remédio contra a disfunção erétil terminava na boca do cofre ? vê-se que a prática do BO (bom part otário) já vem de longe.
E não ficou por aquela malandragem. Povoando a imaginação do carioca, a mulher que freqüentava as páginas do Rio Nuencheu também os bolsos dos produtores de licores eróticos, bons anunciantes. Sem falar que garantiu ainda emprego para fotógrafos, que passaram a sair à caça de belas atrizes do teatro de revistas para serem admiradas pelos leitores. Mas, num espaço de 18 anos, entre um final e começo de milênio, para a mulher proporcionar o aumento do número de empregos ao homem, principal beneficiário da liberalização do sexo na imprensa, o caminho foi lento.
Pode-se dizer que o pioneiro do erotismo literário brasileiro foi o escrivão Pero Vaz de Caminha. No seu relato ao rei Dom Manuel, após Pedro Álvares Cabral descobrir o Brasil (oficialmente), ele contou ao "Venturoso" que as mulheres por aqui tinham "vergonhas cerradinhas" e não se envegonhavam dos olhares indiscretos.
Escancaradamente, o erotismo feminino na imprensa brasileira só explodiu a partir do início da década de 1970, quando a revista Ele e Ela, da Editora Bloch, publicou a foto do nosso primeiro nu frontal. Na década anterior, as puyblicações eróticas de circulação nacional, como a Status, não se atreviam a tanto. No máximo, alavancavam as suas vendas exibindo mulheres lindas com roupas sumárias, nas suas capas, ou exibindo os seios nas páginas internas.
O caminho aberto pela mulher que teve a coragem de mostrar as suas vergonhas em Ele e Elasignificou a geração de centenas de empregos ? maqiuiadores, cabelereiros, diagramadores, fotógrafos, modelos, etc ?). O sucesso foi tão significativo que, nove meses depois, nasceram outras 15 revistas eróticas no País, com circulação entre 20 a 40 mil exemplares. Par que aquilo tudo acontecesse, foi preciso que o sisudo regime militar brasileiro se tornasse mais maleável na censura às artes e aos espetáculos ? durante o governo do presidente Ernesto Geisel, os editores das revistas eróticas eram obrigados a cortar ou retocar seios, regiões pubianas e calcinhas.

(sub-título)
NA ERA DO CINEMA PORNÔ


Quando as artes e os espetáculos encontraram o governo militar brasileiro mais maleável e conseguiram liberalizar a anatomia feminina junto à censura que, freqüentemente, mandava apreender livros, a mulher foi a máquina propulsora de uma indústria que proliferou-se pela década-70, a do cinema pornô.
Indiferente à postura política da nova mulher brasileira, que já incluía idéias libertárias espalhadas pela juventude francesa, desde maio de 1968, os presidentes-generais, Garastazu Médici e Ernesto Geisel, "resguardando a segurança nacional", viram que estava diante de um grande momento para impedir o Brasil de assistir filmes politizados. Naquele novo momento, a mulher não se demorava nas sexy-cenas de cama e nem mostrava as suas "vergonhas frontais". Deixava, no entanto, a imaginação a mil.
A década-70 foi um tempo fértil para o nascimento de mitos femininos, que representaram investimento seguro em suas imagens. Foi assim com Leila Diniz, Adriana Prieto (as pioneiras), Vera Fischer, Alcione Mazzeo, Matilde Mastrangi, Adele Fátima, Helena Ramos, Simone Carvalho, Lady Francisco e Claudete Joubert, só para citar poucas.
Por meio das pornochancadas, que foram classificadas, inicialmente, de "comédias de costumes", as ofereceram trabalhos para muitos diretores ? entre eles, José Miziara, J. Marreco, Toni Vieira, Cláudio Cunha, Sílvio de Abreu, Adriano Stuart, Carlos Imperial, Cláudio MacDowell e Pedro Rovai ? e atores como Nuno Leal Maia, Antônio Fagundes e Mário Gomes. Filmes como "A Superfêmea", "Anjo Loiro", "A Viúva Virgem" e "O Bem Dotado: O Homem de Itu", lotaram salas de cinema pelo País afora.
Dirigido por Carlos Rovai, "A Viúva Virgem" levou seis milhões de espectadores aos cinemas, mas estima-se que o público total possa ter chegado aos 15 milhões, pois não havia registros confiáveis pelo interior brasileiro. A película, que garantiu o emprego de bilheteiros porteiros e maquinistas, chegou a bater a bilheteria do norte-americano "Golpe de Mestre", ganhador do Oscar de 1972 ? outro filme de Carlos Rovai, "Ainda agarro esta vizinha", chegou a representar o Brasil no Festival de Cinema de Cannes, na França em 1975.

(suib-título) O SENTIDO DAS COISAS

Foram duas mulheres ? Adelaide Carraro e Cassandra Rios ?, as responsáveis pela disseminação da literatura erótica no País. Mas, depois que o filme japonês "Império dos Sentidos (de Nagisa Oshima) foi exibido por aqui sem cortes, contendo cenas de sexo explícito, as publicações das duas escritoras passaram a ser vistas como tímidas. A partir de então os brasileiros se viram diante de uma enxurada de livros sobre sexo, a maioria norte-americanos ? Truque do Travesseiro; Engate e Volteio; Rolo de Macarrão e Arco e Violino foram os mais vendidos.
Tanta literatura sobre sexo no Brasil ? Guia das Carícias: ABC do Amor e A Força do Amor, para citar poucos ? era, realmente, algo impensável, dentro de um execrável regime militar. Podia-se, porém, entender: o cinema pornô estava no auge, e a sexologia contava com a vulgarização da psicanálise. Portanto, já se podia distanciar dos tempos dos livros éticos (quase nenhum técnico) e muito mais das teorias científicas e retrógradas do século XIX, como a apalcação de sangue-sugas nos órgãos genitais das mulheres superexcitáveis.
Na década de 1980, coube à atriz Regina Duarte dar mais um grito de liberalização às mulheres. No seriado "Malu Mulher", da TV Globo, sua personagem mantinha relações íntimas com uma amiga e, num outro episódio, encenava um orgasmo. E, por falar em orgasmo, desde a época dos sixty que Virgina Johnson, em parceria com o marido, William Master, havia concluído que a mulher poderia ter orgasmos múltiplos. O fato, porém, é que há mais de um século a mulher vem fornecendo orgasmos mentais ao homem.