La Marytza
terça-feira, 17 de março de 2026
domingo, 21 de setembro de 2025
A MÁQUINA DE BRASÍLIA
Eu e o colega Octávio Bonfim tínhamos três dias de folgas acumulados no Jornal de Brasília e, como aquele, com quem eu fazia a coluna Decálogo (notas que a gente catava no Congresso Nacional e nos Ministérios) convidou-me para ir a uma festa em um clube da Tijuca – acho que Tijuca Atlético Clube -, negociamos, com o editor do Caderno de Leituras, Cláudio Lysias, ir ao Rio de Janeiro fazer uma página sobre o atentado a Carlos Lacerda, em 195.., do qual o “Bonfa” quase foi testemunha – depois conto este barato – para só voltarmos na noite de terça-feira.
Viajamos pela noite da sexta-feira e à tiracolo levamos junto as nossas esposas – Maria (minha) e Mary Ann, a norte-americana resultante dos 13 years que o “Bonfa” passara em Washington sendo correspondente do carioca Jornal do Brasil. Como a segunda-feira seria um feriado, deixamos para fazer a matéria na terça. Nos hospedamos na casa de um irmão do Bonfim e, no sábado, enquanto as nossas mulheres saíram com a cunhada do meu colega para irem a cabelereiro, eu e ele passamos o dia calorento nos vingando dos filamentos de mercúrio dos termômetros mais bebendo cerveja do que o que o resto. À noite, ele tinha visita a fazer à casa da sua grande amiga Martha Rocha - primeira Miss Brasil, em 1954 -,amizade surgida quando o “Bonfa” fora o assessor da revista O Cruzeiro durante os dias que antecederam o concurso. Inclusive, fora dele a ideia de a baiana dizer durante a entrevista com as candidatas que era fã do poeta ...., que estava no júri.
Durante a visita, a visitada fora muito simpática,
achara a Maria “linda”, como a definira, e eu a informei de que ela, também, havia
sido miss - Maranhão do Sul. Os maranhenses
do sul tentam dividir o Estado, como
Mato Grosso o foi, e lutam para que o projeto do Senador Edson Lobão seja
aprovado no Congresso Nacional -, também,
Garota Verão do Rio Tocantins, em uma
dessas programações de verão, desfilara modas, em sua cidade – Carolina – e mordia uma graninha
como garota-propaganda do Departamento de Publicidade e Arte do Jornal
de Brasília. Rolou uma boa empatia entre as duas - aa Martha já era velha
amiga da Mary Ann.
No domingo, pela manhã, fomos para a festa, da
Martha Rocha era uma das patronesses do “Domingo Rubroanil”, o nome da festa beneficente
do Tijuca Atlético, ou Tênis Clube, em
prol de lar de velhinhos do bairro. As mulheres compravam bustier de uma das duas
cores e os homes camisetas. Como a Mari
Ann escolhera o vermelho – escolhido, também, pela Martha - a Maria ficou com o
azul.
Enquanto as programações rolavam,
eu e o “Bonfa” desaparecemos das nossas
mulheres, “em benefício de geladinhos copos de chope” que comprávamos assim que
um terminava – o irmão dele bebeu um copinho (e olhe lá), mas nós bebemos por ele.
Além de Martha Rocha outros famosos participaram da festa, atraindo tijucanos –
entre os que me lembro, os cantores Carlos José, que tinha “Queria” por um dos
seus grandes sucessos e cantou na festa, Carminha Mascarenhas, uma das Rainhas do
Rádio, e o radialista José Messias, autor de “Minha História de Amor” , um dos
maiores sucessos dos inicios de Roberto Carlos nos tempos do iê-iê-Iê.
Lá pelas quatro, cinco da tarde
quando a moçada debandava, eu acionei a
minha câmera ... comprada na alemã Stuttgart, munida de teleobjetiva, grande moda
na época, e fui fotografando a Mary Ann,
a cunhada do Bonfim, as mulheres com as
quais a Maria havia feito a praça e os amigos do irmão do “Bonfa”. Por último,
cheguei para a Martha Rocha pedindo:
- Conterrânea! Xô tirar uma foto
sua com a Maria.
Para minha surpresa - ou por brincadeira dela, pra me agradar -, respondeu:
- Você vai tirar foto de uma
velha dessas do lado de uma máquina de Brasília?
Martha Rocha era pintora, tinha
vários quadros dela nas paredes de seu apartamento, no Rio de Janeiro. Como
devia ao “Bonfa” um quadro pintado por
ela, o colega, que me devia várias rodadas de cerveja derrubadas quando saíamos
da redação do jornal (nunca me pagava a parte dele) propôs que a eterna Miss Brasil pintasse uma
tela pela foto dela com a minha mulher para me agradar). Ficou combinado de que
eu lhe mandasse a foto, mandei-a e Martha pintou esta imagem que você vê acima.
Quanto a matéria sobre o atentado
ao Carlos Lacerda, só a fiz na véspera do Caderno de Cultura ser diagramado, com
o Lysias cobrando o tempo todo. O “Bonfa”
não me ajudou a escrever uma linha e, ainda, me cobrou pagar uma cervejinha depois
do fechamento da página, que você vê ai no meio do texto – beleza! Quem tem os
amigos sacanões que eu tenho, precisa de inimigo pra quê?.
domingo, 14 de setembro de 2025
A VOVÓ XERIFONA
Conto para Pipo Boy.
O Prefeito andava muito preocupado com a má fama que a sua cidade vinha
ganhando, por conta do mau comportamento
dos meninos, que gritavam na calçada da Igreja quando o Padre estava celebrando
a missa, ou quando as velhas senhora rezavam o terço. E o pior: falavam
palavrões, bem alto, pelas ruas. Muitas senhora já abandavam o tradicional
hábito de sentarem-se à porta de casa pelos finais de tarde, para não ouvir a
boca suja deles.
Para acabar com aquele desvario, o Prefeito convocou a Vovó Maria, que
era durona, e propôs-lhe a missão de
corrigir a meninada mau educada. Ela topou e o Prefeito a nomeou Xerife da
cidade.
- Foi porque ele me chamou por
Mané Cubu – respondeu um deles.
- Lhe chamar por Mané Cubu não é desfeita nenhuma, pois ele é um
patrimônio da cultura de nossa cidade, o congadeiro mais antigo. Não é porque ele já está velho,
desengonçado, que você deve repudiá-lo – falou a xerifona que, de repente, se
viu cercada daqueles meninos que não perdiam uma confusão.
Diante do bom número de garotos -
entre 12 e 13 de idade, a Xerife falou
pra eles:
- Quero prepor uma porfia pra
vocês acabarem com tanta bagunça nesta cidade. Topam?
- Fale o que é? – respondeu um deles.
- Vocês vão cortar algumas varetas no mato e vamos fazer uma disputa de
saltos aqui. Quem saltar mais alto, entrego de presente uma camiseta muito
bonita, com a figura da padroeira Nossa Senhora Santana.
Ôôôôôbbbaaa! – gritaram, uníssonos, os meninos, que cortaram as veretas
no mato e montaram os quadrados para saltarem.
A disputa, em frente à Igreja, foi uma festa, e a camiseta agradou tanto
a meninada que todos queriam ganhar uma. A Xerife prometeu arrumar um
patrocinador para fabricar muitas delas, sob o compromisso de ninguém mais
fazer bagunça.
O Armazém Caçula patrocinou as camisetas, os meninos passaram a se comportar bem. As famílias voltaram a sentar
à porta de casa, pelos finais de tarde, e o Padre e as beatas nunca mais
reclamaram da gritaria na porta da Igreja, quando estavam rezando.
Problema resolvido, o Prefeito
chamou a Xerifona ao seu gabinete, condecorou-a com uma estrela ara colocar no
peito de suas blusas, mas ela preferiu pedir demissão do cargo.
- Já cumpri a minha obrigação com a cidade, Prefeito!
-Valeu, Xerifona! – agradeceu ele.
domingo, 7 de setembro de 2025
HAT-TRICK
1 - Carlão era o líder da turma da rua e, por conseguinte, quem comandava o time de futebol da rapaziada. Eles disputavam partidas contra equipes das vizinhanças e nunca sobrava uma vaguinha para o Korcino, ainda que fosse nos últimos minutos da pugna, com a moçada vencendo, folgadamente. Os outros da equipe achavam que fosse implicância do seu líder com o rapaz, mas ele sempre saia com a explicação de que o carinha “era ruim demais de bola, um verdadeiro reforço do adversário”. E levava todos na conversa. O pior, porém, era que o muito calmo Korcino não reclamava e ficava quietinho calado, na reserva, em todos os jogos, sem nenhuma perspectiva de rolar a pelota.
Um dia, o sempre caladão Korcino indagou ao Carlão porque ele não o deixava jogar. Ouviu: "No dia em que você fizer um hat-trick durante um treino, lhe mando pro jogo" - respondeu.
Hat-trick! O que seria aquilo? Korcino
nunca ouvira alguém falar semelhante palavra. Também, não fora perguntar
a ninguém sobre aquele barato estranho. Como o Carlão falara de “hat-trick
durante um treino”, logo, só poderia ser coisa do futebol, intuiu.
Semanas depois de descobrir o que seria hat-trick, Korcino encontrou-se, pelas ruas da cidade, com um amigo que morava por perto de sua casa - em uma outra rua - e que lhe convidou para substituir, no time que ele comandava, um garoto que havia se mudado pra longe. Claro que topou. Antes de iniciar os treinos como a sua nova turma, ele conseguiu, com um amigo que trabalhava para o Canal 100 (passava nos jornais da tela dos cinemas), assistir 22 gols dos filmes de quatro encaçapadas do Santos Futebol Clube durante o Torneio Rio-São Paulo de 1961: 5 x 1 Vasco da Gama; 7 x 1 Flamengo: 4 x 2 Botafogo e 6 x 1 América-RJ.
Graças à ajuda do amigo que trabalhava no
cinema, Korcino conseguiu memorizar bem as jogadas dos gols de Dorval,
Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe (foto), o arrasador, impiedoso ataque
santista. Treinou-as no quintal de sua casa, mas não as exibiu durante nenhum
treino junto com os seus novos companheiros. Queira executá-la só quando
estivesse craque, como nos lances admirados. Após assistir os filmes dos lances geniais
dos gols santistas, por sugestão do amigo cinematográfico do Canal 100, um bom ouvinte Korcino comprou
a carioca Revista do Esporte, pra saber, pela sessão Súmula,
quem eram os demais atletas do Santos naquelas quatro encaçapadas. E leu:02.03. 1961 - Santos 5 x 1 Vasco da Gama - Torneio
Rio-São Paulo, no estádio do Pacaembu-SP, assitido por calculados 11.500 torcedores,
que pagaram Cr$ 1.789.900,00 pra assisatir gols marcados
por Coutinho, Dorval, Mengálvio, Pepe e Zito, descontando Lorico
para os vascaínos, que foram goleados por: Laércio; Mauro (Formiga),
Dalmo, Fioti; Calvet e Zito; Dorval (Sormani), Mengálvio, Coutinho, Pelé e
Pepe. VASCO: Miguel; Paulinho de Almeida, Bellini,.Brito e Coronel; Écio e Lorico;
Sabará, Delém, Pinga (Wilson Moreira), e Da Silva. Técnico: Martim
Francisco.
11.03.1961 - Santos 7 x 1 Flamengo - Torneio Rio-São Paulo. Estádio: Maracanã-RJ.Juiz: Olten Aires de Abreu-SP. Público: Publico: 90.218 pagantes. Renda: Cr$ 6.675.580,00. Gols: Pepe, aos 22; Pelé, aos 31, 49 e, 64; Henrique Frade, aos 53; Dorval, aos 55; Pepe, aos 57; Coutinho, aos 51. SANTOS: Laércio; Dalmo, Mauro (Formiga) e Fioti (Feijó); Zito (Urubatão) e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula (Luís Alonso Peres). FLAMENGO: Fernando; Joubert, Bolero e Jordan; Nelinho (Jadir) e Carlinhos; Joel, Gerson, Henrique (Luis Carlos), Dida e Babá (Germano).Técnico: Fleitas Solich.
01.04.1961 - Santos 4 x 2 Botafogo - Torneio
Rio-São Paulo. Estádio: do Pacaembu-SP.
Juiz: Público: cerca de 15 mil pagantes. Renda: Cr$
1.520.500,00. Gols: Pelé (2), Coutinho e Dorval, com Edson e China fazxendo
os dos botgasfoguenses. SANTOS: Lalá; Dalmo (Dorval), Mauro, Calvet e
Fiote (Jorge); Zito (Urubatão) e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Sormani), Pelé e
Pepe. Técnico: Lula. BOTAFOGO: Ernani; Cacá, Zé Carlos e Chicão; Pampolini
e Nilton Santos; Garrincha, Édson, Amarildo (Amoroso), China e Zagallo. Técnico:
Paulo Amaral.
10.04.1961 - Santos 6 x 1 América. Torneio Rio-São Paulo.
Estádio: da Vila Belmiro, em Santos-SP. Juiz: Armando
Marques-RJ. Público: Renda: Cr$ 992.050,00. Gols:: Pepe (3), Coutinho,
Pelé e Urubatão; Antoninho (Ame). SANTOS: Lalá; Dalmo, Formiga, Calvet
(Getulio) e Jorge; Urubatão e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Zoca), Pelé
(Sormani) e Pepe. Técnico: Lula. AMÉRICA-RJ: Ari; Milton, Djalma Dias
e Ivan (Jaílton); Amaro e Leônidas; Calazans, Antoninho, Quarentinha (Helio
Cruz), João Carlos e Nilo (Fontoura). OBS: Zoca, irmão de Pelé, perdeu pênalti,
aos 86 mninutos, quando o placar era Santos 6 x 1. Único jogo de Zoca (Jair
Arantes do Nascimento) ao lado do irmão Pelé. Totalizou 15 vestidas da camisa
santista, a maioria como reserva, até junho daquele 1961.
2 - Fazia perto de três meses que Korcino havia debandado do time da sua rua para o da rua próxima de sua casa. Sempre, ele entrava nas partidas, pois era acordo da rapaziada todos atuarem, pelo menos, por 30 minutos de cada amistoso. O importante, para eles, não era vencer, mas todos se divertirem. Assim, ele ia pegando ritmo, se entusiasmando. Lá pelas tantas, Korcinoo foi avisado de que o prélio do domingo que viria seria contra o seu ex-time. Ficou na dele. Veio a partida e o Carlão líder dos adversários aproximou-se dele, que estava entre os reservas, e sacaneou: "Viu! Não adiantou trocar de time. Você nasceu pra assistir os amigos jogarem".
Korcino só ouviu, não respondeu à provocação. Rolou a bola e o primeiro tempo foi duro, sem gols, com equilíbrio total. Aos 35 do segundo tempo, Korcino foi pro jogo. Marcou três golaços, bem ao estilo dos que havia assistido nas quatro goleadas assistidas nos filmes dos espetaculares lances santistas. A cada gols que ele marcava,um incrédulo Carlão assumia ar de alma do outro mundo. Olhava-o comemorando, com os novos companheiros, sem entender nada. Quando o juiz apitou final de partida, chegou pro Korcino e falou:
- Estava escondendo o jogo, hem cara!
- Pois é! Atora, dizizcondi – respondeu, também,
sacaneando.
Inicio às 18h18 de 24.09.20254 (quarta-feira) e final às 20h10 de 24.09.2025

















