domingo, 7 de setembro de 2025

HAT-TRICK

  1 - Carlão era o líder da turma da rua e, por conseguinte, quem comandava o time de futebol da rapaziada. Eles disputavam partidas contra equipes das vizinhanças e nunca sobrava uma vaguinha para o Korcino, ainda que fosse nos últimos minutos da pugna, com a moçada vencendo, folgadamente. Os outros da equipe achavam que fosse implicância do seu líder com o rapaz, mas ele sempre saia com a explicação de que o carinha “era ruim demais de bola, um verdadeiro reforço do adversário”.  E levava todos na conversa. O pior, porém, era que o muito calmo Korcino não reclamava e ficava quietinho calado, na reserva, em todos os jogos, sem nenhuma perspectiva de rolar a pelota.

Um dia, o sempre caladão Korcino indagou ao Carlão porque ele não o deixava jogar. Ouviu: "No dia em que você fizer um hat-trick durante um treino, lhe mando pro jogo" - respondeu.

Hat-trick! O que seria aquilo? Korcino nunca ouvira alguém falar semelhante palavra. Também,  não fora perguntar a ninguém sobre aquele barato estranho. Como o Carlão falara de “hat-trick durante um treino”, logo, só poderia ser coisa do futebol, intuiu.

 Korcino  comprou uma edição da revista paulistana A Gazeta Esportiva, pra ver se encontrava algo sobre hat-trick , e estava lá: "Um hat-trick, ou hat trick, significa três gols em uma partida do futebol atual. O termo surgiu em 1858, pelo críquete, quando HH Stephenson salvou a sua turma por três vezes consecutivas (e ganhou dos fãs, por presente, um chapéu). Na imprensa, quem primeiro o usou foi o Chelmsford Chronicle, em 1865. Depois, outras modalidades o adotaram, sendo que no futebol não precisa serem três vezes consecutivas. Por exemplo, em 1958, durante a Copa do Mundo, Pelé tornou-se o mais jovem hat-tricker, marcando três tentos na final, diante da Suécia (Brasil 5 x 2).

 Semanas depois de descobrir o que seria hat-trick, Korcino encontrou-se, pelas ruas da cidade, com um amigo que morava por perto de sua casa - em uma outra rua -  e que lhe convidou para substituir, no time que ele comandava, um garoto que havia se mudado pra longe. Claro que topou. Antes de iniciar os treinos como a  sua nova turma, ele conseguiu, com um amigo  que trabalhava para o Canal 100 (passava nos jornais da tela dos cinemas), assistir 22 gols dos filmes de quatro encaçapadas do Santos Futebol Clube  durante o Torneio Rio-São Paulo de 1961: 5 x 1 Vasco da Gama; 7 x 1 Flamengo: 4 x 2 Botafogo e 6 x 1 América-RJ.  

 Graças à ajuda do amigo que trabalhava no cinema, Korcino conseguiu memorizar bem as jogadas dos gols de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe (foto), o arrasador, impiedoso  ataque  santista. Treinou-as no quintal de sua casa, mas não as exibiu durante nenhum treino junto com os seus novos companheiros. Queira executá-la só quando estivesse craque, como nos lances admirados. Após assistir os filmes dos lances geniais dos gols santistas, por sugestão do amigo cinematográfico do Canal 100, um bom ouvinte Korcino comprou a carioca Revista do Esporte, pra saber, pela sessão Súmula,  quem eram os demais atletas do Santos naquelas quatro encaçapadas.  E leu:

02.03. 1961 - Santos 5 x 1 Vasco da Gama - Torneio Rio-São Paulo, no estádio do Pacaembu-SP, assitido por calculados 11.500 torcedores, que pagaram Cr$ 1.789.900,00 pra assisatir gols marcados por  Coutinho, Dorval, Mengálvio, Pepe e Zito, descontando Lorico para os vascaínos, que foram goleados por: Laércio; Mauro (Formiga), Dalmo, Fioti; Calvet e Zito; Dorval (Sormani), Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. VASCO: Miguel; Paulinho de Almeida, Bellini,.Brito  e Coronel; Écio e Lorico; Sabará, Delém, Pinga (Wilson Moreira), e Da Silva. Técnico: Martim Francisco.

11.03.1961 - Santos 7 x 1 Flamengo - Torneio Rio-São Paulo. Estádio: Maracanã-RJ.Juiz: Olten Aires de Abreu-SP. Público: Publico: 90.218 pagantes. Renda: Cr$ 6.675.580,00. Gols: Pepe, aos 22; Pelé, aos 31, 49 e, 64; Henrique Frade, aos 53; Dorval, aos  55; Pepe, aos 57; Coutinho, aos 51. SANTOS: Laércio; Dalmo, Mauro (Formiga) e Fioti (Feijó); Zito (Urubatão) e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula (Luís Alonso Peres).  FLAMENGO: Fernando; Joubert, Bolero e Jordan; Nelinho (Jadir) e Carlinhos; Joel, Gerson, Henrique (Luis Carlos), Dida e Babá (Germano).Técnico: Fleitas Solich.

01.04.1961 - Santos 4 x 2 Botafogo - Torneio Rio-São Paulo. Estádio: do Pacaembu-SP. Juiz: Público: cerca de  15 mil pagantes. Renda: Cr$ 1.520.500,00. Gols: Pelé (2), Coutinho e Dorval, com Edson e China fazxendo os dos botgasfoguenses. SANTOS: Lalá; Dalmo (Dorval), Mauro, Calvet e Fiote (Jorge); Zito (Urubatão) e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Sormani), Pelé e Pepe. Técnico: Lula. BOTAFOGO: Ernani; Cacá, Zé Carlos e Chicão; Pampolini e Nilton Santos; Garrincha, Édson, Amarildo (Amoroso), China e Zagallo. Técnico: Paulo Amaral.

10.04.1961 - Santos 6 x 1 América. Torneio Rio-São Paulo. Estádio: da Vila Belmiro, em Santos-SP. Juiz:  Armando Marques-RJ. Público: Renda: Cr$ 992.050,00. Gols:: Pepe (3), Coutinho, Pelé e Urubatão; Antoninho (Ame). SANTOS: Lalá; Dalmo, Formiga, Calvet (Getulio) e Jorge; Urubatão e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Zoca), Pelé (Sormani) e Pepe. Técnico: Lula. AMÉRICA-RJ: Ari; Milton, Djalma Dias e Ivan (Jaílton); Amaro e Leônidas; Calazans, Antoninho, Quarentinha (Helio Cruz), João Carlos e Nilo (Fontoura). OBS: Zoca, irmão de Pelé, perdeu pênalti, aos 86 mninutos, quando o placar era Santos 6 x 1. Único jogo de Zoca (Jair Arantes do Nascimento) ao lado do irmão Pelé. Totalizou 15 vestidas da camisa santista, a maioria como reserva, até junho daquele 1961.

2 -  Fazia perto de três meses que Korcino havia debandado do time da sua rua para o da rua próxima de sua casa. Sempre, ele entrava nas partidas, pois era acordo da rapaziada todos atuarem, pelo menos, por 30 minutos de cada amistoso. O importante, para eles, não era vencer, mas todos se divertirem. Assim, ele ia pegando ritmo, se entusiasmando. Lá pelas tantas, Korcinoo foi avisado de que o prélio do domingo que viria seria contra o seu ex-time. Ficou na dele. Veio a partida e o Carlão  líder dos adversários aproximou-se dele, que estava entre os reservas, e sacaneou: "Viu! Não adiantou trocar de time. Você nasceu pra assistir os amigos jogarem".

Korcino só ouviu, não respondeu à provocação. Rolou a bola e o primeiro tempo foi duro, sem gols, com equilíbrio total. Aos 35 do segundo tempo, Korcino foi pro jogo. Marcou três golaços, bem ao estilo dos que havia assistido nas quatro goleadas assistidas nos filmes dos espetaculares lances santistas. A cada gols que ele marcava,um incrédulo Carlão assumia  ar de alma do outro mundo. Olhava-o comemorando, com os novos companheiros, sem entender nada. Quando o juiz apitou final de partida, chegou pro Korcino e falou:

 - Estava escondendo o jogo, hem cara!

- Pois é! Atora, dizizcondi – respondeu, também, sacaneando.

           Inicio às 18h18 de 24.09.20254 (quarta-feira) e final às 20h10 de 24.09.2025    

domingo, 24 de agosto de 2025

domingo, 17 de agosto de 2025

JUSSSARA DEU NOME A DUAS CIDADES

 Quando o Brasil teve de 70 a 90 milhões de habitantes, durante  as décadas-1950 1970, o concurso Miss Brasil só não era mais importante (e mais chamativo) do que o Carnaval e a Copa do Mundo. Pesquisadores contam ter havido três disputas entre as  brasileiras – 1929, 1930 e em 1949 –, promovidos pela  pela magazine carioca Noite Ilustrada, coroando as belas Iolanda Bermanine de Sá-1929  e Iolanda Ferreira (Miss Universo-1930) .

  Mesmo com tamanha quantidade de belezas desfilando pelas  passarelas brazucas, somente seis deusas da beleza jamais saíram da imaginação popular verde-e-amarela: as baianas Martha Rocha (1954) e Marta Vasconcellos ( Miss Universo-1968) ; a amazonense Terezinha Morango (1957); a carioca Adalgilza Colombo (1958); a gaúcha Iêda Vagas (Miss Universo-1963) e a catarinense Vera Fischer-1969.
 No entanto, apenas uma delas tornou-se nome de cidade: Jussara Souza Marques Amorim. Aliás, de duas cidades, uma em Goiás e a outra no Pará.
Em Goiás, Jussara batizou sua xará distante  223 km de Goiânia. Até 1950, ali era o povoado de Água Limpa, onde lhe presentearam com uma fazenda que ela jamais procurou saber onde ficava. No Pará, a outra Jussara surgiu em 1952. Em 1954,  a Miss Brasil-1949 não pode coroar Martha Rocha, porque já estava casada e grávida.
INTERESSE DE ESTADO - Jussara estava perto dos 18 de idade, em 1949, estudando a segunda etapa do curso Normal (formava professoras), quando venceu o Miss Goiás. Mas foi preciso o governador goiano, Jerônimo Coimbra Bueno, ir à casa de Seu  Ormides Martins de Souza e de Dona Isaura de Souza, convencer o pai da moça a deixar a filha competir no Rio de Janeiro,  no dia 12 de junho de 1949, no Hotel Quitandinha, em Petgrópolis
Antes do Miss Goiás, representando o Goiás Esporte Clube,  Jussara havia sido Rainha dos Estudantes e Glamour Girl. No Miss Brasil, concorreu contra 12 candidatas -  Acre, Amazonas, Espírito Santo, Estado do Rio de Janeiros Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná,s Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo –  e foi coroada  na presença das mais importantes autoridades do país. Mas não disputou o Miss Universo, porque, naquele 1949, o Papa Pio 12 pediu a não realização da disputa, alegando ser um “espetáculo nudista, contradizendo  o moral e o pudor pregados pelo cristianismo” – como se as figuas bíblicas de Adão e Eva tivessem sido feitos vestidos.
 Jussara tem o seu Marques escrito com z, em algumas publicações que reportam ao seu avô  Manoel Martins Marquez. Ela nasceu, em 1931, em Itumbiara, e viveu até 24 de fevereiro de 2006, quando residia no Rio de Janeiro. Foi sobrinha-neta de Francisca Carolina de Nazareth Marquez, a mulher mais rica de Goiás, no inicio do Sécul 20.
Em Goiânia, Jussara chegou  criança, e por lá ficou até  casar-se, como o bancário minero (de Patos) Marcelo Champagnat de Amorim, em1954. Residiu, ainda, em Brasília e em Belo Horizonte, após o casamento, quando incorporou o Amorim ao seu sobrenome. Não passou a coroa a Martha Rocha, porque estava grávida.
DÉCADA-1950 – Aorganização norte-americana do Miss Universo entrou em contato com o jornal Diário Carioca, para organizar o Miss Brasil-1954. Incumbido de ir à luta, o jornalista Pompeu de Souza só consegiu reunir 12 candidatas, que desfilaram  à tarde na boate do Hotel Quitandinha, em Petrópolis, diante de três mil pessoas e de mesa julgadora formada pelo poeta Manuel Bandeira; o pintor Cândido Portinari e o cenógrafo Tomás Santa Rosarosa e os escritores Amando Fontes, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Helena Silveira.
 Como organizador, Pompeu não votaria, mas um imprevisto com on Portinari o obrigou a ser jurado. Por entrevista ao Jornal de Brasília, ele afirmou só terem condições de pegar a coroa as misses Bahia (Martha Rocha), Zaida Saldanha (Rio de Janeiro) e Patrícia Lacerda (Distrito Federal), neta do escritor Coelho Neto.
Para Pompeu, a carioca Zaida, esguia e meiga, e tinha beleza mais brasileira, lembrando o personagem Iracema, de José de Alencar. Acreditava que ela  teria mais chances de ser Miss Universo -  votada por ele, Paulo  e  Bandeira, empatou com a loura Martha, enquanto a Patrícia não teve votos e não admitiu ser vencida. O voto desempate para a baiana saiu do Santa Rosa.
- O Brasil de então era tão moralista que o desfile teve de ser para poucos e em recinto fechado. Se não fosse assim, as candidatas não desfilariam”, registrou.
     O entusiasmo que o Miss Brasil e Martha Rocha despertaram nos brazucas fez a turma declarar guerra aos Estados Unidos, por terem eleito a sua representante e deixado a baiana em segundo lugar. “Doeu mais do que não ganhar a Copa do Mundo de 1954, na Suiça”, afirmou ao JBr.
 Chegada a década-1960, os desfiles eram à noite, no carioca Maracanãzinho, levando 35 mil pessoas  ao ginásio.
Vera Fischer, à direita, ficou eterna devido a exposição na TV

INUSITADO – Em 1967, duas surpresas marcaram o Miss Brasil. A representante do Piauí revelou que pretendia ser freira, e a do Distrito Federa, Anísia Gasparina da Fonseca, que era empregada doméstica e só estudara até o segundo ano primário. Mesmo sendo a mais aludidada, ele ficou em quarto lugar. 
  Violeta Lima Castro, chamada pelas amigas por Bebê, é considerada a primeira Miss Brasil. Mas há historiadores afirmado que uma francesa naturalizada brasileira tivesse sido realmente, a primeira, e, 1865, tempos imperiais. Fala-se, ainda, em concursos sem continuidade anual e que elegeram outras moças durante a metade do século 20, entre elas a paulista (de Santo) Zezé Leone, em 1922, quando teria havido o primeiro concurso organizado.
Fala-se, também, da carioca Olga Bermanni de Sá, em 1929; da gaúcha Yolanda Pereia, em 1930; de outra carioca Ieda Telles de Menezes, em 1932; de Vânia Pinto (primeira modelo profissional brasileira), em 1939, e ea goiana Jussara Sousa Marques em 1949..

domingo, 13 de julho de 2025

CLEIDE ALVES COM RENATO E SEUS BLUE CAPS

 

Cleide Alves – Twist, Hully Gully & Cleide Alves

Label:

RGE – XRLP-5.243, RGE – XRLP 5.243

Format:

Vinyl, LP, Album, Mono

Country:

Brazil

Released:

May 1964

Genre:

Rock

Style:

Rock & Roll, Pop Rock
A1Hully Gully Do Guarda
A2Cara De Pau
Written-By – Janete Adib, Roberto Carlos
A3Surpresa De Domingo
Written-By – Erasmo Carlos, Roberto Carlos
A4Mamãe Acha Que É Normal
Written-By – Erasmo Carlos, Roberto Carlos
A5Por Toda A Vida
Written-By – Erly Muniz, Hélio Justo
A6Estou Ficando Louca
Written-By – Edson Ribeiro
B1Beijo Quente
Written-By – Erasmo Carlos, Roberto Carlos
B2Como Eu Balanço (Guarda Come Dondolo)
Lyrics By – Rossi*
Lyrics By [Portuguese] – Hélio Justo
Music By – Vianello*
B3Sugar Shack
Lyrics By [Portuguese] – Erasmo Carlos
Written-By – F. Voss*, K. McCormack*
B4Brotinho Transviado
Written-By – Erasmo Carlos, Roberto Carlos
B5Vai Embora, Meu Amor
Written-By – Paulo César*, Rossini Pinto
B6Broto Malvadinho
Written-By – Ed Wilson (7)